Conto: Vidas na Gaveta da Costureira

Num lindo atelier de moda, quando a costureira fechava as suas gavetas, tudo o que lá se encontrava ganhava vida. Lá fora ninguém suspeitava de nada.

A Mamã Agulha Fininha acabava de colocar os pequenos Alfinetes Cabeça para dormir. Tinham estado a brincar muito uns com os outros e estavam cheios de sono.

Enquanto isso Botãozinho Dourado, seguindo o rasto de luz, espreitava por uma fresta da gaveta. Conseguia ver a costureira a pôr o seu ultimo vestido direito no manequim antes de desligar as luzes.

Mais um dia e mais uma vez não tinha sido escolhido para adorno dos modelos.

- Um dia destes vais ser escolhido Botãozinho! – Aproximou-se a Agulha Fininha.

- Gostava tanto de poder ir correr pelo mundo fora... mas há muito tempo que estou aqui esquecido. Não percebo, eu que até sou dourado como o sol e posso chamar as atenções num lindo vestido.

A Dona Tesoura e o Senhor Dedal ouvindo o lamento do Botãozinho, tentaram confortá-lo.

- Estás aqui na nossa boa companhia! A família Retalhos também não tem sido escolhida, aliás, até tem vindo a aumentar. Já nem pensam na possibilidade de serem os próximos a sair da gaveta.

Os outros que assistiam anuíram. E os Retalhinhos para não desanimarem envolviam se em pequenas lutas de brincadeira para passarem o tempo e assim animavam os habitantes da gaveta. A pedido dos papás Retalhos, as Linhas Coloridas tinham de amarrar os Retalhinhos até acalmarem a algazarra.

Apesar de todas as palavras dóceis que diziam, o Botãozinho Dourado não se conformava e continuava triste.

A Fita Métrica que até não era de muitas conversas, desenrolando-se manifestou a sua ideia:

 - Acho que te consigo ajudar Botãozinho Dourado. No andar de baixo moram os Croquis, poderíamos fazer-lhes uma visita e ver de que forma eles te poderão incluir em algum dos seus planos.

O Botãozinho até reluziu de esperança.

- É claro que alguns são uns emproados e nem sequer nos irão ouvir, com esses nem valerá a pena contar, mas pode ser que algum dos outros nos consiga ajudar.

Para visitarem os seus vizinhos da gaveta de baixo, tinham uma passagem direta pelas traseiras. Não perderam tempo e a Fita Métrica abriu caminho juntamente com a mamã Agulha Fininha e Botãozinho Dourado, seguindo-se os outros todos que estavam muito curiosos com o encontro. Os pequenos Retalhinhos até davam cambalhotas durante a procissão até à vizinhança, enquanto os papás Retalhos lhes pediam para estarem quietos.

Bateram na gaveta do andar de baixo e rapidamente respondeu o Lápis Baixinho, guardião do andar, que lhes deu permissão para entrarem.

Queriam todos falar ao mesmo tempo, mas Dona Fita Métrica, que foi a responsável pela ideia pôs ordem na confusão. Começou então a contar o que tinham planeado.

O Lápis Baixinho conduziu-os até aos Croquis Criativos que possivelmente resolveriam o assunto. Os Croquis Cerimónia nem olharam para eles com tamanha altivez que se apresentavam. Os Croquis Elegantes ainda os cumprimentaram, mas com bastante formalidade.

Quando chegaram à zona dos Croquis Criativos foram recebidos com muita alegria. Ouviram o plano da Dona Fita Métrica e um dos croquis, Croqui Casaco Estiloso, mostrou logo grande entusiasmo em receber Botãozinho Dourado:

- Desenha-me aqui o Botãozinho neste bolso para eu ficar mais bonito, por favor! – dirigiu-se ao Lápis Baixinho.

O guardião preparou-se para desenhar detalhadamente o Botãozinho Dourado no único bolso de peito que o Croqui Casaco Estiloso continha.

Satisfeito, o Croqui Casaco Estiloso estava convencido que seria um dos projetos a executar em breve, levando consigo o Botãozinho Dourado.

E assim foi, dois dias mais tarde, a gaveta abriu-se e o Botãozinho Dourado reluzindo pela luz exterior foi levado para ornamentar o casaco e ir conhecer o mundo exterior.

Os seus companheiros, observavam pela fresta da gaveta mal fechada, o quanto ele estava feliz no manequim.

No andar de baixo, Lápis Baixinho estava orgulhoso em mais um dos seus trabalhos. Preparava-se agora para ajudar mais uns amigos. À sua frente estava o Croqui Saia Estampada, preparando-se para receber o retrato da Família Retalhos.

O Botãozinho Dourado que já não tinha esperança em ser escolhido, afinal tinha agora uma nova vida no exterior. Por vezes apenas tem de se ter paciência e esperar que o momento certo chegue para se poder brilhar.

Sobre mim...

Angela Antunes, gosto de escrever para crianças, porque assim como não há limites para sonhar assim também não há limites para escrever.

E como todas as crianças gosto de aventura, gosto de descobrir e não ficar parada.

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Criado por Angela Antunes