Era a primeira vez que me dirigia à lavandaria que se encontrava por baixo do meu
apartamento, recentemente alugado, depois de ter assinado os papeis do divórcio há três semanas.
A roupa já se amontoava fora do cesto e já não tinha mais camisas limpas para vestir esta semana.
Eu não estava habituado à rotina das lides domésticas, quando havia alguém a fazê-
las por mim. Dou conta agora de que estava mal habituado, ou…bem acompanhado.
Encontrava-me em frente à gigante máquina, a ler pela quarta vez as instruções que
se encontravam por cima, tinha medo de errar a ordem das coisas ou em que botão
carregar. Estava tão concentrado que não dei conta que tinha alguém ao meu lado.
- Amigo, isto só custa a primeira vez.
O intruso da minha concentração, que se preparava para ocupar a máquina ao lado
explicou-me como trabalhar devidamente com o sistema que me iria ser útil nos
próximos tempos.
‘Só custa a primeira vez’, pensei. Sim, de facto custou a primeira noite a dormir
sozinho após tantos anos, foi como se fosse a primeira vez que a minha mãe me
colocou na cama do quarto ao lado para dormir sozinho. Custou a primeira refeição
sozinho, custou a mudança para o apartamento que agora era só meu, que por mais pequeno que fosse parecia enormemente vazio.
Custa sempre sair da zona de conforto e encarar a realidade, mas depois torna-se
num hábito e a nova vida passa a ser um ciclo vicioso e delicioso até algo voltar a
interferir com o nosso estado.

Aventuras Contadas
para ler e sonhar,
dão-te asas para voar!
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Criado por Angela Antunes