Os meus olhos já não conseguiam fugir do que os teus perseguiam.
O que pairava no ar não era apenas amizade, ia muito mais além do que isso.
Os teus olhos fixavam, os meus respondiam, de seguida tremiam e fugiam. E se os
meus olhos fixavam, os teus respondiam, de seguida tremiam a querer fugir, mas
insistiam com a sede de desejo.
Naquela noite de São João, o céu era iluminado pelos balões que subiam para o
infinito. As nossas almas queriam subir junto e encontrar-se longe de tudo e de todos.
O pinheiro ardia bruscamente, enquanto as pessoas dançavam, saltavam e corriam à volta dele. Os nossos corpos ardiam, não pelo calor do fogo que queimava, mas pelo sentimento que fervia dentro de nós.
Sentimento proibido condenado à fogueira pelo pecado que desejávamos cometer.
Sentíamos o chão a tremer com o fogo de artificio, os nossos corpos tremiam com o
batimento acelerado do que o coração sentia.
E no final daquela noite, ao separarmo-nos para os nossos caminhos distintos, a tua
despedida denunciava o nervosismo através da tua respiração ofegante. O que era
para ser um simples beijo de amizade na face, transformou-se numa caricia pela
minha cabeça, pelo meu pescoço e rapidamente no beijo mais ardente que pudesse
antes imaginar.
Não eras capaz de resistir, tinhas de ceder, tinhas de vir experimentar o que este lado sentia.
Mas eu mesmo tendo deixado ceder por uns instantes, mantive-me fiel ao
estabelecido.
Há amores que não podemos ter para a vida toda. E era assim o nosso destino,
despedirmo-nos com a esperança de noutra vida, noutro mundo nos voltemos a
encontrar.
Olha lá vão dois balões tão próximos para o infinito. Que as nossas almas voem com eles e possam viver o amor proibido nesta vida.

Aventuras Contadas
para ler e sonhar,
dão-te asas para voar!
Newsletter
Inscreva-se agora para receber
notícias minhas!
Criado por Angela Antunes