Já tinham passado quase cinquenta anos desde que Antónia tinha ido à Disneylândia em Orlando. Foi a melhor viagem da sua vida, feita em conjunto com o seu marido e a sua filha, Ana, ainda criança.
Nessa viagem o marido de Antónia comprou duas lindas chávenas para as mulheres da sua vida com o desenho preferido deles, o Mickey. Inicialmente Antónia guardou as chávenas sagradamente. Mas poucos anos depois, com a morte precoce do seu marido, Antónia prometeu que iria usar cuidadosamente a sua chávena todos os dias, para se recordar dos momentos vividos na Disneylândia com a família.
Mas o chá daquela tarde seria o ultimo na chávena do Mickey. Antónia teve mais uma crise de Parkinson e viu a chávena desfazer-se em pedaços no chão. Quando a sua neta, Joana, a foi visitar no final da tarde, a avó contou-lhe o sucedido, deixando-a preocupada com as crises frequentes que tinha nos últimos tempos. Mas a preocupação da avó era ter ficado com a chávena do Mickey desfeita em pedaços.
No regresso a casa, Joana foi ao armário da sua coleção de chávenas, que tinha começado já desde criança. No meio da sua coleção uma chávena sobressaía, era especial e tinha sido dada pela mãe, a outra chávena do Mickey que tinha sido comprada há cinquenta anos pelo avô.
Joana adorava aquela chávena, talvez sentimento herdado pelos genes. Custava-lhe muito desfazer-se dela, voltou a fechar o armário e pensou que a avó iria superar a perda.
Passou o resto da semana a pensar no que fazer, mas via a avó cada vez mais triste e apática pela vida.
Então no sábado à tarde Joana voltou ao armário onde estava a chávena imaculada do Mickey, pegou-lhe cuidadosamente e fez o que o seu coração lhe dizia para fazer.

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Criado por Angela Antunes